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Companhias de teatro de Curitiba lutam para sobreviver à pandemia

24/09/20 às 23:00

Atualizado às 22:12

Rafaelly Kudla, especial para o Bem Paraná

Cenários desmontados, figurinos guardados, palcos e plateias vazios. O teatro nunca esteve tão quieto. Com praticamente todas as atividades suspensas desde março, quando a pandemia do novo coronavírus começou a se alastrar pelo Brasil, as companhias teatrais de Curitiba se veem assombradas pelas dificuldades para manter salários e aluguéis em dia e ainda têm de conviver com a incerteza de dias melhores. Assim sendo, o desafio para aqueles que vivem da arte, de ressaltar a importância da cultura e conseguir apoio financeiro do público, se torna uma missão ainda mais difícil e, ao mesmo tempo, urgente.

Para sobreviver, as companhias têm buscado nas lives e nas vendas de vouchers uma alternativa para minimizar os impactos econômicos da crise sanitária. Ao mesmo tempo, aguardam o repasse do auxílio emergencial previsto pela Lei Aldir Blanc (auxílio que, de tão emergencial, está vindo mais de seis meses após o início da pandemia).

Para quem trabalha na área há mais de 20 anos, contudo, a sensação é de abandono por parte das autoridades. Esse é o caso, por exemplo, do produtor cultural e dramaturgo João Luiz Fiani, que está a frente do teatro Lala Schneider. Ele recorda que já se passou um semestre com o país convivendo com a pandemia e o fechamento dos espaços culturais, mas até aqui nenhuma providência concreta foi tomada para ajudar o meio artístico.

“Em Curitiba não foi feito nada para nós que vivemos disso, e se alguma coisa não for feita efetivamente pelos próximos dias para os espaços culturais, nós não vamos conseguir sobreviver”, alerta.

Por ora, a principal alternativa para ter alguma fonte de renda e manter a fidelidade do público tem sido a migração de algumas atividades para plataformas online. Será assim, por exemplo, com a Mostra Move, que está em sua terceira edição e reunirá oito companhias de teatro, com a realização de ensaios presenciais e virtuais e transmissões online para o público, numa tentativa de promover um intercâmbio artístico e o encontro com diferentes formas de criar.

Organizador do evento, Eduardo Giacomini comenta que a situação atual requer alternativas para o teatro continuar existindo. “O teatro é essencialmente uma arte presencial. Neste momento estamos encontrando formas de manter algumas características para que ele possa continuar acontecendo. Por ser um acontecimento em tempo real, acreditamos que a transmissão ao vivo seja uma aliada nesse desafio”.

Uma nova forma de fazer e viver a arte cênica
Nas companhias teatrais, a retomada das aulas presenciais de artes cênicas já está acontecendo, com metade do curso sendo ofertado de modo presencial, com capacidade reduzida nas salas e boa ventilação e a outra metade, online. Além disso, a venda de vouchers antecipados também está é uma alternativa para o enfrentamento da crise, como é o caso do Teatro Lala Schneider. “Espetáculo não temos como fazer, mas eu preciso de dinheiro para manter o teatro, não tem jeito”, comenta Fiani.

A Cia de Teatro da UFPR, por sua vez, desde abril utiliza plataformas de conferência de vídeo online para realizar ensaios, pesquisas e produções. Para Rafael Lorran diretor de artes cênicas da UFPR e diretor da Companhia, o positivo é que o novo formato das reuniões possibilitou uma relação maior entre pessoas da parte criativa e os atores.

“Pessoas que antes não se conheciam e não trabalhavam juntos, de repente estavam pesquisando e criando pela internet e à distância. Foi um processo muito interessante e muito difícil, mas ao mesmo tempo nos orgulhamos por termos mantido os encontros”, explica Lorran, comentando ainda que o principal apoio que o público pode oferecer é não abandonar o teatro. “Encontrar, acompanhar, assistir e observar essas experiências é importante para que esses atores em formação possam sentir esse processo e esse momento tão importante que é a troca, o encontro com as pessoas”.

Lei Aldir Blanc irá beneficiar quase 3 mil pessoas
Segundo dados da Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura do Paraná, mais de 2.970 pessoas já se cadastraram para receber o auxílio emergencial de renda criado por meio da Lei Aldir Blanc, que prevê o repasse de três parcelas de R$ 600 e é direcionado a pessoas que têm a arte como profissão e principal fonte de renda.

O prazo para realizar o cadastro, inclusive, foi estendido por mais um mês, até 14 de outubro. Podem participar pessoas físicas que tenham no mínimo 18 anos; atuação social ou profissional nas áreas artística e cultural nos últimos dois anos, com comprovação, por foto, de ser artista (das áreas de música, teatro, dança, circo, artesanato, arte visual, audiovisual, cultura popular, literatura, formação), técnico (luz, som, estrutura), gestor ou produtor cultural

Também é exigido renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total de até três salários mínimos (R$ 3.135) e o beneficiário não poderá ter emprego formal ativo ou ser titular de benefício previdenciário ou assistencial ou beneficiário do seguro-desemprego ou de programa de transferência de renda federal, ressalvado o Bolsa Família.

Também não poderá receber a ajuda aquele que tiver recebido rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70 em 2018. Por outro lado, poderão receber os R$ 600 até duas pessoas de uma mesma família e mãe solteira receberá o dobro do benefício (R$ 1.200).

O Governo do Paraná recebeu R$ 71.915. 814,94, a serem distribuídos por meio do auxílio emergencial e de editais de fomento, que ainda não tiveram as datas de distribuição divulgadas.




Fonte: Post Completo

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