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Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba: União e representatividade marcam 100 anos de história | Notícias

É um sindicato forte, representativo e unido. Seus 25 mil associados estão espalhados por 37 setores industriais presentes em 29 municípios da Grande Curitiba. Sua força, ancorada nos sindicalizados e suas fa mílias, no apoio da população, da Justiça do Trabalho, do Legislativo e Executivo estaduais permitiu, após greve (foto) de 21 dias em julho/agosto, reverter a demissão de 747 metalúrgicos da montadora Renault, em São José dos Pinhais. A vitória foi comentada no Brasil todo e no exterior. Em entrevista à Mundo Sindical, o presidente do SMC, Sérgio Butka, comenta essa e outras vitórias obtidas ao longo de um século e revela qual o segredo dessas conquistas. Confira.

Mundo Sindical – São 100 anos de história. Quais foram as grandes lutas e conquistas que colocaram o SMC no cenário nacional?

Sérgio Butka – A história de 100 anos do SMC é ligada com a história do Brasil. Estivemos na luta pela instituição da CLT na eraVargas, pedindo por democracia na ditadura militar, lutando contra a política neoliberal dos anos 1990, fortalecendo a luta pelavalorização salarial e por direitos nos anos 2000 e, agora, lutando contra a nova onda de ataques aos direitos trabalhistas. Todaessa experiência fez com que estabelecêssemos aqui no Paraná um trabalho de base, além de um modelo de negociação e mobilização que trouxe resultados, como os maiores acordos de Participação nos Lucros do Brasil. Um trabalho que inovou fechando pacotes salariais de longo prazo e que fez com que tivéssemos atuação firme pela manutenção dos empregos e direitos. Foram movimentos que ajudaram a puxar e desenrolar a luta em outras fábricas pelo país. Creio que foram essas situações que projetaram os trabalhadores metalúrgicos de Curitiba para o Brasil.

MS – A greve contra as 747 demissões na Renault e o acordo para as readmissões foi apenas a última vitória…

Butka – Sempre costumo dizer que o melhor acordo é sempre o próximo. Por maior que tenha sido a conquista, nunca podemos nos deixar levar pela empolgação e sim continuar o trabalho de mobilização junto à base. É esse trabalho que vai garantir a luta por melhores salários, mais direitos e manutenção dos empregos, como foi na Renault.

MS – O que impressionou nessa greve, além da vitória, foi a união dos trabalhadores, o apoio da população, da Justiça do Trabalho edos Poderes Executivo e Legislativo estaduais. Qual o segredo desse prestígio?

Butka – O maior legado desse acordo, além da readmissão dos trabalhadores, foi como a sociedade se engajou na luta junto com o sindicato. Durante a greve, muitas pessoas das comunidades próximas à fábrica nos ajudaram levando alimento nas vigílias feitas nos 21 dias em frente à fábrica. As mulheres e famílias dos trabalhadores também estiveram presentes, participando ativamente das mobilizações. Foi um movimento de solidariedade que sensibilizou a todos e fez pressão sobre autoridades do Estado e sobre a Renault. A força do sindicato vem exatamente do reconhecimento pela sociedade dessa capacidade de mobilização que temos, fruto do trabalho de base.

MS – O sindicato tem na base 37 setores industriais espalhados por 29 municípios. Como estar sempre em contato com os trabalhadores dabase, associados ou não?

Butka – Procuramos priorizar o trabalho de comunicação junto aos trabalhadores. Utilizamos as várias ferramentas que as novas tecnologias oferecem, enviando sempre informação das lutas e alertando para o que está acontecendo. Mas o trabalho principal é o presencial. Além da diretoria executiva do sindicato, em 2011 instituímos a figura do delegado de fábrica e procuramos criá-la em cada empresa. Dessa forma, aumentamos a capilaridade e poder de alcance do sindicato e fortalecemos o trabalho de base.

MS – Vivemos tempos difíceis para o sindicalismo. A luta pela sustentabilidade é permanente. Como analisa o presente? Como vê o futuro?

Butka – Depois de uma decáda de prosperidade, onde avançamos na luta pela melhoria de vida do trabalhador, atualmente há uma cruzada para destruir o que foi conquistado. Mostramos ao trabalhador a necessidade e importância de um sindicato forte para poder enfrentar essa onda. Por mais que a mobilização do trabalhador seja o principal combustível da luta, é preciso ter alguém para conduzir e orientar os rumos dessa luta. É aí que entra o sindicato. Sem um sindicato forte e estruturado, a tendência é a luta morrer na praia.O capital tem feito de tudo para tentar resolver seus problemas pela precarização dos direitos trabalhistas e dos empregos. O trabalhador sente isso na pele, o que faz com que enxergue a necessidade de o sindicato atuar em sua defesa. Foi o que ocorreu na Renault. A sociedade viu como foi importante a atuação sindical para o processo chegar ao desfecho que teve. A luta na Renault é um norte para o movimento sindical e trabalhista e é reflexo de como deve ser a resistência daqui para a frente.

MS – Novas tecnologias, automação e terceirização irrestrita tendem a reduzir empregos e precarizar salários. Como o SCM enfrentaesse cenário?

Butka – Procuramos mostrar às empresas a necessidade de valorizar seu maior patrimônio que é o trabalhador. Temos no sindicato toda uma parte social, de serviços e qualificação. Oferecemos uma série de cursos de qualificação profissional. Temos convênios com faculdades e universidades para os associados. É nossa forma de contribuir para que o tabalhador esteja sempre se atualizando.

MS – Tem alguma mensagem para os associados e outras lideranças sindicais?

Butka – É preciso que todos estejam atentos para procurar resistir às injustiças que tentam impor aos trabalhadores. Sempre falo:nossa posição não é comunista, de esquerda ou de qualquer ideologia, mas sim uma posição de solidariedade, de respeito ao ser humano, de busca para que todos possam ter vida digna e condições de cuidar bem da sua família. Esse é o objetivo do sindicato e é por ele que procuramos guiar todo nosso trabalho. Acho que a melhor mensagem é o exemplo que os metalúrgicos de Curitiba procuram passar por meio da sua luta. Mostramos que, se o trabalhador estiver unido, construir um Brasil justo é uma chance muito grande.

Centenário e com uma estrutura invejável

Fundado em 28 de janeiro de 1920 por um grupo de fundidores da Indústria Muller Irmãos, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) é reconhecido hoje como uma das entidades de trabalhadores mais atuantes e bem estruturadas do Brasil. Passou por diversas mudanças de nome, categorias abrangidas e de base territorial e suas bandeiras de luta foram se fortalecendo ao longo desses 100 anos, incluindo melhores condições de trabalho, redução da jornada de trabalho, mais saúde e segurança nas fábricas e Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). Com muita luta e união dos trabalhadores, foi construindo uma estrutura invejável para melhor atenderà categoria. Hoje, além da grande sede central na Av. Presidente Getúlio Vargas, em Curitiba, o sindicato tem subsedes em São José dosPinhais, Campo Largo, Araucária e Pinhais. Tem também uma ampla estrutura de lazer e treinamento, composta pelo MetalClube de Campo (sede campestre), MetalClube de Praia (Colônia de Férias e Centro de Lazer em Matinhos) e o Formar (Centro de Formação em Guaraqueçaba).

O sindicato em números

Fundação: 28/01/1920 (100 anos)
Presidente: Sérgio Butka, desde 07/09/1990
Último mandato: 7/01/2020, até 06/01/2024
Base territorial: Grande Curitiba – 29 municípios
Trabalhadores na base: cerca de 50 mil
Trabalhadores sindicalizados: 25 mil
Setores industriais representados: 37
Data base de reajuste: Montadoras (Sinfavea), em setembro; Máquinas (Sindimaq) e Metalurgia (Sindimetal), em outubro; Peças (Sindipeças), em novembro Convenções coletivas – Máquinas (Sindimaq); Metalurgia (Sindimetal); Montadoras (Sinfavea); Peças (Sindipeças). São sempre tentados acordos por empresa, antes de fechar a convenção




Fonte: Post Completo

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